Domingo, 30 de Novembro de 2008

O Menino da sua mãe - Fernando Pessoa

Como a minha mãe fez anos ontem e hoje faz 73 anos da morte de Fernando Pessoa, deixo aqui este poema para todos vocês:

 

 

No plaino abandonado

Que a morna brisa aquece,

De balas trespassado,

- Duas, de lado a lado -,

Jaz morto, e arrefece.

 

Raia-lhe a farda o sangue.

De braços estendidos,

Alvo, louro, exangue,

Fita com olhar langue

E cego os céus perdidos.

 

Tão jovem! que jovem era!

(Agora que idade tem?)

Filho único, a mãe lhe dera

Um nome e o mantivera:

"O menino da sua mãe".

 

Caiu-lhe da algideira

A cigarreira breve.

Dera-lhe a mãe. Está inteira

E boa a cigarreira.

Ele é que já não serve.

 

De outra algideira, alada

Ponta a roçar o solo

A brancura embainhada

De um lenço... Deu-lho a criada

Velha que o trouxe ao colo.

 

Lá longe, em casa, há a prece:

"Que volte cedo, e bem!"

(Malhas que o Império tece!)

Jaz morto, e apodrece,

O menino da sua mãe.

 

Fernando Pessoa

 

P.S Mafalda Veiga fez uma linda música deste poema onde podem conferir abaixo:

 

  

O Menino de Sua Mãe - Mafalda Veiga
sinto-me:
música: O Menino da Sua Mãe - Mafalda Veiga

4 comentários:
De Joaquim Salgueiro a 1 de Dezembro de 2008 às 19:57
Pessoa tem, talvez, os melhores poemas que Portugal alguma vez escreveu. E ele sentimos o que ele sentiu (talvez com a óbvia diferença da mudança temporal) à nossa maneira. Um senhor, digno desse nome. Para mim, há mais um poeta português que inspirou magia e escreveu a harmonia em verso. Eugénio de Andrade. Ando a ler a obra e aconselho ^^


De So Much More a 1 de Dezembro de 2008 às 23:30
Esse foi um dos poemas que apresentei o ano passado a português. Um dos muitos de Fernando Pessoa. O inigualável poeta de sentimentos e razões.
Parabéns à tua mãe!
Fica bem


De Bolacha a 10 de Janeiro de 2009 às 15:10
Da obra que conheço de Pessoa, este é sem dúvida o poema de que mais gosto. As descrições de espaços e sentimentos e a mensagem social que o poema traz consigo, para além da inconfundivel e fabulosa forma que Pessoa tem de expressar-se através de versos tão maravilhosos... o poema é lindo!

E o blog também está giro, gostei :D


De Luar a 23 de Abril de 2012 às 18:43
Oh!...Santo Deus que Soneto...
Quem não gostaria ter sido o menino de sua mãe.
As malhas que o Império teceu já para nada
serve o fio, porque o menino morreu e o Império esvaneceu.


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