Quinta-feira, 8 de Janeiro de 2009

Bailarico Inglês - II Parte


 
Deitou-se e continuou a ler o livro. A história era cada vez mais bonita.
Antes de ir dormir, Alexandra foi há casa de banho e quando se viu ao espelho viu o seu rosto, mas estava um bocado diferente. Estava mais bonita, tinha um colar de pérolas e um tiara no cabelo.
Assustou-se. Viu o espelho a remexer-se. Tocou e sentiu-se a ser sugada lá para dentro.
Alexandra aterrou num sítio escuro e sentiu-se um bocado atordoada , mas depressa recuperou.
Apalpou a parede e conseguiu abrir a porta. Um fio de luz iluminou o compartimento e viu que se tratava de uma pequena sala com um grande espelho.
Alexandra ouviu música a tocar e pessoas a rir e a conversarem e dirigiu-se para lá.
- O baile! - exclamou Alexandra.
Viu casais a dançar com roupas do século XVIII.
Olhou para si. Também estava vestida de um lindo vestido azul.
Reparou no conde William sentado no cadeirão, a olhar para o baile vagamente.
Alexandra estava eufórica. Como foi ali parar? Será que tudo ali era um sonho? Foi para o centro da pista de dança sem acreditar no que estava a ver.
Conde William reparou na linda mulher vestida de azul.
- Quem é aquela mulher?
- Não sei. - respondeu o duque George.
Conde William ficou maravilhado. Desceu do cadeirão e foi ter com ela.
- Quem sois vós? - questionou ele.
Alexandra virou-se e assustou-se.
- Chamo-me Alexandra. - respondeu.
- Sou o conde William de Gales. - apresentou-se o senhor. - E vós sois o quê?
- Eu sou duquesa de Bragança. - mentiu ela.
- Onde fica isso? - interrogou o conde.
- Em Portugal. -respondeu ela.
- Sois portuguesa? - espantou-se o conde. - Não sabia que havia mulheres tão lindas em Portugal! Mas não me lembro de ter convidado nenhuma duquesa de Portugal!?
Alexandra engoliu em seco. Tinha posto a pata na poça. Estava feita, teria que sair dali o mais depressa possível.
Mas de facto, a sorte estava do lado de Alexandra. O duque George interrompeu a conversação de ambos.
- Interrompi-vos? - inquiriu o duque George.
- Não. - respondeu Alexandra, prontamente.
- Sou o duque George de Glasgow. - apresentou-se.
- Sou a duquesa de Bragança. -respondeu ela.
Conde William reparou que o Duque George de Glasgow estava visivelmente interessado em Alexandra e não conseguiu deixar de sentir uma pontinha de ciúmes e resolveu convidá-la para dançar.
O conde fez uma pequena vénia e pegou na mão de Alexandra e interrogou:
- Quereis dançar comigo?
- Sim. - aceitou ela.
Dançaram durante uma hora e a cumplicidade entre os dois aumentava em cada pezinho de dança.
- Nunca vi homem tão romântico! - suspirou Alexandra.
- Quero mostrar-vos o meu palácio. - informou o conde.
William levou Alexandra ao jardim do palácio e ela não deixou de reparar na beleza deste e no belo lago de cisnes.
Ouvia-se a música nitidamente e continuaram a dançar mais um pouco e depois passearam entre os jardins.
William pegou nas mãos de Alexandra, beijou-as e de seguida deu-lhe um beijo apaixonado.
- Amo-vos! - declarou-se ele.
Alexandra sentiu-se confusa. Era a primeira vez que alguém se havia declarado a ela e ainda por cima um conde de rara beleza.
Alexandra deixou-se levar pelos sentimentos e pelo romantismo do momento.
- Também vos amo. - acabou por dizer.
Deram mais um beijo apaixonado.
- Venha, vou mostrar-lhe a minha parte preferida do palácio. - informou o conde.
Ele levou-a para dentro e dirigiu-se à sala dos espelhos.
Foi ali que tudo começara.
- Adoro esta sala. Foi aqui que nasci. - informou ele.
William pegou nas mãos de Alexandra, beijou-a e disse que a amava incondicionalmente, mesmo sendo a primeira vez que se tinham visto.
- Quero sentir-te. - disse o conde.
Alexandra encontrava-se perto do espelho gigante e no mesmo instante em que o conde se preparava para desabotoar os botões do vestido, Alexandra foi sugada pelo espelho e encontrou-se de novo na casa-de-banho. Olhou para si, estava de pijama. Olhou para o espelho e viu-se tal e qual na realidade, tocou-o e não se sentiu sugada.
Alexandra correu para o quarto e leu o livro até ao fim e o que leu foi impressionante: a história era tal e qual com o episódio pelo que ela tinha passado.
Alexandra reflectiu sobre o assunto. Ficou com saudades do conde William de Gales e dos momentos que passaram juntos. Apaixonou-se irremediavelmente por ele. Tinha de arranjar uma maneira de regressar ao palácio, acabar o amor que não chegaram a fazer.
Mas na verdade, Alexandra nunca mais conseguiu lá regressar e envelheceu solteira e virgem e nunca mais viu o homem da sua vida e pensou no que tinha acontecido e chegou à conclusão que o livro era mágico e só depois percebeu o verdadeiro significado da 2ª frase da capa do livro: "Uma viagem ao Mundo da Fantasia". Tudo o que ela tinha vivido não passara de uma ilusão que ela própria tinha criado e acabou por morrer de desgosto por ter desperdiçado a sua vida com uma fantasia.
sinto-me:
música: Deixa-te levar - TT

3 comentários:
De So Much More a 8 de Janeiro de 2009 às 12:37
Não estava à espera dessa reviravolta. Mas é verdade, não podemos desperdiçar a vida com fantasias, ilusões. Bonita a história :)


De Isa_ a 8 de Janeiro de 2009 às 16:47
hahahahaha.. eu tb vi um espelho, mas eram os olhos do meu love!


De Sara S. a 27 de Junho de 2009 às 23:13
Esta é uma boa história :) de facto, os livros podem ter páginas e páginas preenchidas de imaginação e ilusões que nos encantam, mas sendo algumas fictícias, o melhr é concentrarmo-nos na nossa própria vida. Não que deixemos de ler livros, isso não, porque são importantes para o nosso desenvolvimento e creatividade, mas talvez não nos perdermos demasiado nas histórias que eles inserem. É pena que esta tenha tido um final mais triste.


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