Quarta-feira, 5 de Março de 2008

Bullying

Casos de "bullying" continuado já levaram à morte de jovens em Portugal. Quem o afirma é Beatriz Pereira, professora e investigadora do Instituto de Estudos da Criança da Universidade do Minho, que adianta que um desses casos ocorreu ainda este ano, embora, tal como outros, não tenha sido assumido como tal, ou seja, um caso extremo de abuso sistemático de poder e de intimidação. Segundo aquela investigadora, os casos registados em Portugal são, no entanto, pontuais.
Basicamente, o "bullying", expressão inglesa com difícil tradução para português, consiste, segundo Alexandre Ventura, do departamento de Ciências da Educação da Universidade de Aveiro, "na violência física e/ou psicológica consciente e intencional exercida por um indivíduo ou um grupo sobre outro indivíduo, ou grupo, incapaz de se defender e que, em consequência de tal agressão, fica intimidado, podendo ver afectadas as respectivas segurança, auto-estima e personalidade".
Gozar, chamar nomes, ameaçar, empurrar, humilhar, excluir de brincadeiras e jogos são actos de todos os dias, que acontecem "desde sempre, desde que há crianças". E a isto se chama "bullying". Algo que muitas vezes é considerado pelos adultos como "saudável" e "uma boa forma de aprender a viver e a defender-se" e que pode deixar marcas para toda a vida.
Segundo Alexandre Ventura, o "bullying" pode marcar a personalidade de uma pessoa para sempre ao torná-la débil na capacidade de comunicação, ao torná-la incapaz de se afirmar em termos sociais, profissionais e amorosos.
As vítimas de "bullying" tornam-se muitas vezes pessoas tão frágeis que chegam mesmo a tentar o suicídio.
E o pior é que, ainda segundo aquele pedagogo, quando as vítimas procuram denunciar as situações em que vivem, "são mal recebidas, acabando por ser também vítimas de incompreensão".
Num seminário dedicado ao tema "Bullying - intimidação nas escolas", realizado pelo Centro Social de Paramos, no âmbito do projecto "Aprender em movimento", na Escola Secundária Dr. Manuel Laranjeira, em Espinho, Alexandre Ventura e Beatriz Pereira alertaram para a necessidade cada vez mais premente de despertar as consciências de todos para o fenómeno e as suas consequências.
Beatriz Pereira salientou a importância de existir nas escolas um espaço, um gabinete, aonde os jovens, vítimas ou simples testemunhas, possam ir denunciar aquilo que viveram ou viram acontecer. "Normalmente, as vítimas sofrem em silêncio. Sentem-se ridículas e até culpadas pelo facto de serem vítimas. Os órgãos de gestão, os professores, os auxiliares de acção educativa e os pais têm de assumir as suas responsabilidades, deixarem de aceitar como normal o que é aberrante e injustificado e agir", concluiu Alexandre Ventura.


Os predicados de uma potencial vítima

Ser recém-chegado a uma escola e ter ali poucos amigos íntimos é uma das características de muitas das vítimas. Ser tímido, viver num meio familiar superprotector, pertencer a um grupo racial ou étnico diferente da maioria, possuir uma diferença óbvia (como ser muito gordo ou muito magro, coxear, gaguejar), ter necessidades educativas especiais ou deficiência ou pelo simples facto de comportar-se de forma considerada imprópria, ser maçador ou intrometido são factores que fazem de um jovem uma potencial vítima.

Efeitos ou indícios de possível "bullying"

Os efeitos do "bullying" são vários. Baixa auto-estima, medo, pesadelos, rejeição da escola, insegurança, ansiedade, dificuldade de relacionamento interpessoal, dificuldade de concentração, diminuição do rendimento escolar, dores de cabeça ou de estômago, mudanças repentinas de humor, vómitos, urinar na cama, falta de apetite, choro, insónia, aumento de pedido de dinheiro e até roubos em casa e surgimento de objectos estragados ou desaparecidos sem que seja dada uma explicação para tal.

Num estudo recente, a Margarida Gaspar de Matos e colaboradores apuraram que 57.5% dos alunos entre os 11 e os 16 anos estão envolvidos em comportamentos provocatórios.

A vítima de bullying deve ser apoiada por um psicólogo porque apresentará, com toda a certeza, um sofrimento psíquico importante. O agressor também deve ser acompanhado porque o exercício persistente e continuado de bullying é revelador de um enorme mal-estar interno. O autor de bullying vê a violência como uma forma de alcançar poder.

O registo de Casos de Bullying é muito elevado. Em Portugal ainda não se presta, infelizmente, muita atenção a este fenómeno.

Os técnicos que se relacionam de perto com as crianças e os jovens, nomeadamente os professores têm que estar mais atentos a esta realidade e devem perceber o impacto devastador que o bullying pode gerar, comprometendo o salutar desenvolvimento da criança como pessoa segura e auto-confiante. A auto-estima é a primeira a sofrer danos e, por vezes, em situações muito graves, danos irremediáveis. Os pais e os familiares de uma maneira geral, também devem estar muito atentos a esta realidade, principalmente quando se sabe que a criança tem uma característica qualquer que a torna vítima fácil, nomeadamente, se sofre de obesidade ou se tem uma qualquer dificuldade de expressão, é, por exemplo, gago, tem tiques, é demasiado calado ou demasiado falador, etc., isto é, se de alguma forma a criança foge aos padrões normativos.
Sabe-se que muitos dos comportamentos de risco dos adolescentes - absentismo escolar, uso de álcool e drogas, actos suicidários e comportamentos delinquente -, estão relacionados, directa ou indirectamente, com o facto de serem ou terem sido sujeitos a violência e/ou bullying. O bullying implica maus-tratos continuados e repetidos e não deve ser confundido com a agressividade normal na infância e na adolescência e, obviamente implícita nas diferentes brincadeiras.

Tente perceber se o seu filho é vítima de Bullying

  • É muitas vezes alvo de brincadeiras de mau gosto?
  • Qual é a alcunha que ele tem, lá na escola?
  • Há alguma característica na sua personalidade ou fisionomia que o coloca na situação de ser um “alvo fácil”?
  • Recusa-se a ir à escola e anda triste?
  • Parece não ter amigos ou não se sentir à-vontade com eles?
  • Mostra-se muito sensível às suas brincadeiras e reage ou chorando ou de forma agressiva

 

Previna os danos do Bullying

  • Se o seu filho tem alguma característica na sua personalidade ou fisionomia que o coloca na situação de ser “alvo fácil”, procure um psicólogo que o possa ajudar a lidar com essa característica para que não se torne um estigma e um motivo de vergonha
  • Esteja atento, observe o seu filho a brincar com os outros colegas, solicite aos professores o parecer deles.
  • Não se torne hiper-protector, mas vigie com atenção.
  • Não se esqueça que o seu filho pode precisar de ajuda. Nem sempre as crianças têm a força necessária para fazerem frente a um agressor
  • Se o seu filho é muito agressivo, esteja atento, ele pode ser autor de bullying e não ter consciência do sofrimento que provoca nas outras criança.

Identifique os comportamentos de Bullying

  • Bullying Físico – Bater, agredir, dar pontapés, empurrar, dar encontrões e puxões
  • Bullying Verbal – Ameaçar, arreliar, iniciar rumores e fazer comentários agressivos.
  • Exclusão das Actividades – Exclusão directa de certa criança para as actividades em que todos participam menos a criança excluída
  • O que Não se deve fazer – Incentivar a criança a ser assertiva, a desvalorizar o que aconteceu, a ser indiferente às agressões e incentivá-la a fazer de conta que não é incomodado com as agressões. Isoladas estas atitudes podem levar a criança a sentir-se um fracasso
  • O que se Deve fazer – Estar a tento e intervir no sentido de fazer parar o comportamento da criança que atormenta o seu filho. Falar com o seu filho e com os colegas dele para tentar perceber se ele está a ser vítima de Bullying. Explicar-lhe que é natural sentir medo e vergonha, mas que deve ser capaz de falar sobre o que está a acontecer para que o possam ajudar. Chamar a atenção dos professores responsáveis, falar com os pais da criança que atormenta e solicitar que a criança agressora seja observada por um psicólogo. Falar com a criança que foi alvo de Bullying e explicar-lhe que ela não se deve culpar pelo que aconteceu e caso necessário oferecer-lhe um acompanhamento psicológico para que ela possa elaborar os “traumas” a que foi sujeita.

 Fonte: Psicronos JN

 

Eu sei o que é ser vítima de Bullying, pois já sofri muito com isso. Perdia o apetite, entrei em depressão, tinha dores abdominais, não tinha vontade de ir para a escola, perdi a auto-estima, a pouca que tinha, virei anti-social, tenho problemas de ansiedade, variações de humor, tristeza, tendências suicidas. Tudo isto devido ao Bullying, que acarreta problemas irreversíveis para as vítimas para o resto das suas vidas. Eu não sou excepção.

Eis agora aqui um vídeo de jovens que se suicidaram devido ao Bullying, que poderiam ser evitadas se alguém que conhecesse a situação tivesse divulgado. Por isso, se souberem de casos de bullying, por favor digam a alguém e ponham-se sempre no lado da vítima e ajudem-na, pois nunca se sabe ela no dia seguinte não estará mais entre nós, é uma questão de vida ou de morte.

 

 

música: Tourniquet - Evanescence

6 comentários:
De guiga a 6 de Março de 2008 às 17:11
Tive de sublinhar o texto para ler. É que fizeste o post a preto! lol
Pois, é um assunto muito grave, em que os pais, professores, têm de estar atentos. Acredito que isto terá tendência em acontecer. Cada vez mais há desigualdades, de todos os níveis. E essas desigualdades são muitas das vezes mal vistas.
Há que prevenir!
*.*


De Rabiscos a 1 de Abril de 2008 às 11:33
Olá, é a primeira vez que li o teu blog e este post chamou-me a atenção. De facto, em Portugal não se dá muita atenção a este tipo de problema... infelizmente, ´também já passei por isso e lembro-me, ainda hoje, da sensação de medo mal punha um pé na escola. Por acaso tenho a sorte de ter uns pais fantásticos que ajudaram a resolver a situação, mas há quem não tenha essa possibilidade...

fica bem :)


De Rabiscos a 1 de Abril de 2008 às 16:10
(em resposta à questão)
O meu pai falou com o miúdo que me ameaçava. Intimidou-o, de algum modo. E um dia eu reagi`aos "ataques" dele. Nunca mais se meteu comigo. Mas só consegui fazer-lhe frente porque sabia que tinha o apoio dos meus pais.

Obrigada pela visita:D
Também vou adicionar nos favoritos


De rui a 30 de Julho de 2008 às 23:33
depois do k me aconteceu nunca mais vou por a cabeça do imanuel na sanita ou o vou prender pelas coecas num cabide o pai e a mae dele deram me um estalo alias ja fiz uma lista de kem vou fazer ameaças e agredir isto e assim eu pegei nele e pedilher o dnheiro ele deume uma latada e eu deilhe o k merecia mas acho k mereci a latada a 2 anos k o aterrorizo


De Ana Luiza a 9 de Março de 2009 às 18:29
Sou do Brasil, também vítima de bullying e achei esse blog quando estava fazendo uma pesquisa sobre este assunto para a escola. Gostaria de parabenizar-te pelo post e pelo vídeo, que mostram as conseguencias que isto pode causar.
Obrigada por ajudar a alertar pessoas de todos os lugares sobre isso


De anonimo a 5 de Maio de 2009 às 17:06
Olá! Eu também já fui vítima de bullying e às vezes ainda sou. Quando saio à noite e vou aos cafés, encontro sempre uma pessoa ou outra que gosta de gozar e eu então tenho diminuído as saídas à noite e tenho-me refugiado na net em minha casa, mais concretamente no World of Warcraft. Eu pessoalmente, da maneira como por exemplo a justiça, a educação e a saúde estão, não creio que algum dia se tome medidas para combater este flagelo. E nem ponho aqui o meu nome, não vá ser incomodado, pois já vi por exemplo nas notícias um professor a ser suspenso por comentar aquela «licenciatura» do Sócrates. E também soube nas notícias que o antigo Ministro da Saúde soube de um cartaz que tinha sido afixado num centro de saúde e «deu cabo» do autor. E eu se fizer alguma crítica contra algum partido, ponho o meu emprego em perigo.


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