Quinta-feira, 3 de Junho de 2010

Excesso de Disciplina - Fernando Pessoa

 

 

 

Das feições de alma que caracterizam o povo português, a mais irritante é, sem dúvida, o seu excesso de disciplina. Somos o povo disciplinado por excelência. Levamos a disciplina social àquele ponto de excesso em que cousa nenhuma, por boa que seja - e eu não creio que a disciplina seja boa - por força há-de ser prejudicial.

Tão regrada, regular e organizada é a vida social portuguesa que mais parece que somos um exército do que uma nação de gente com existências individuais. Nunca o português tem uma acção sua, quebrando com o meio, virando as costas aos vizinhos. Age sempre em grupo, sente sempre em grupo, pensa sempre em grupo. Está sempre à espera dos outros para tudo. E quando, por um milagre de desnacionalização temporária, pratica a traição à Pátria de ter um gesto, um pensamento, ou um sentimento independente, a sua audácia nunca é completa, porque não tira os olhos dos outros, nem a sua atenção da sua crítica.

Parecemo-nos muito com os Alemães. Como eles, agimos sempre em grupo, e cada um do grupo porque os outros agem.

Por isso aqui, como na Alemanha, nunca é possível determinar responsabilidades; elas sãos sempre da sexta pessoa num caso onde só agiram cinco. Como os Alemães, nós esperamos sempre pela voz do comando. Como eles, sofremos da doença Autoridade - acatar criaturas que ninguém sabe porque são acatadas, citar nomes que nenhuma valorização objectiva autentica como citáveis, seguir chefes que nenhum gesto de competência nomeou para as responsabilidades da acção. Como os Alemães, nós compensamos a nossa rígida disciplina fundamental por uma disciplina superficial, de crianças que brincam à vida. Refilamos só de palavras. Dizemos mal só às escondidas. E somos invejosos, grosseiros e bárbaros, de nosso verdadeiro feitio, porque tais são as qualidades de toda a criatura que a disciplina moeu, em que a individualidade se atrofiou.

Diferimos dos Alemães, é certo, em certos pontos evidentes das realizações da vida. Mas a diferença é apenas aparente. Eles elevaram a disciplina social, temperamento neles como em nós, a um sistema de estado e de governo; ao passo que nós, mais rigidamente disciplinados e coerentes, nunca infligimos a nossa rude disciplina social, especializando-a para um estado ou uma administração. Deixamo-la coerentemente entregue ao próprio vulto íntegro da sociedade. Daí a nossa decadência!

Somos incapazes de revolta e de agitação. Quando fizemos uma "revolução" foi para implantar uma cousa igual ao que já estava. Manchámos essa revolução com a brandura com que tratávamos os vencidos. E não resultou uma guerra civil, que nos despertasse; não nos resultou uma anarquia, uma perturbação das consciências. Ficámos miserandamente (sic) os mesmos disciplinados que éramos. Foi um gesto infantil, de superfície e fingimento.

Portugal precisa dum indisciplinador. Todos os indisciplinadores que temos tido, ou que temos querido ter, nos têm falhado. Como não acontecer assim, se é da nossa raça que eles saem? As poucas figuras que de vez em quando têm surgido na nossa vida política com aproveitáveis qualidades de perturbadores fracassados logo traem a sua missão. Qual é a primeira cousa que fazem? Organizam um partido... Caem na disciplina por uma fatalidade ancestral.

Trabalhemos ao menos - nós, os novos - por perturbar as almas, por desorientar os espíritos. Cultivemos, em nós próprios, a desintegração mental como uma flor de preço. Construamos uma anarquia portuguesa. Escrupulizemos no doentio e no dissolvente. E a nossa missão, a par de ser a mais civilizada e a mais moderna, era também a mais moral e a mais patriótica.

 

 

Autoria de Fernando Pessoa

 

Texto publicado in O Jornal, nº 6, de 8-4-1915, na coluna "Crónica da vida que passa".

sinto-me:

Segunda-feira, 24 de Agosto de 2009

Já cheguei de férias!!!

Olá a todos pessoal! Já cheguei de férias! Visitei a minha família e conheci coisas novas.

Nestas férias fui ao centro do Porto.  Vi o Santa Catarina Shopping e achei imensa piada às fachadas dos cafés serem uma espécie de reconstrução da zona antiga da Ribeira!

Passeamos aqui e acolá pelo centro do Porto.

Visitei também o S. Domingos.

Dei também um saltinho até Braga. Adoro as lojas daquela cidade! Adoro os shoppings!

Depois fui até à aldeia da minha mãe: Vilar de Perdizes.

Logo no dia a seguir alguns membros da minha família, eu e mais uns tantos da aldeia e emigrantes fizemos a Rota do Contrabando. Um percurso de 4 km por carreirinhos cheios de penedos, giestas e silvas. Rota essa, que os contrabandistas faziam no passado para comprarem e venderem produtos a Espanha.

Não gostei muito na ida para lá, pois não estou habituada a esse tipo de caminhadas. As ervinhas entravam-se nas sapatilhas e começavam a picar-me os pés.

Muita gente teve pena de mim e perguntaram-me se eu queria ir na carrinha de apoio. Eu orgulhosa, disse que não.

E lá continuei eu, ouvindo críticas do meu pai a chamar-me «fraca», «não devias ter vindo», «já sei como és»... :S

Ao longo do percurso iam-nos dando água enquanto parávamos para mirar alguma paisagem mais «turística» ou quando presenciávamos a peça de teatro.

A peça de teatro consistia em fazer simulações de contrabando. Ia uma senhora com o burrico estrada fora quando vieram os guardas fiscais. Vasculharam as sacas que o burro carregava e levavam o que lhes interessava e deixavam a senhora.

Numa outra representação ao pé das «Olas de Santa Marinha», uns homens andavam a contrabandear com espanhóis e a polícia andava ali à socapa e lá os apanhou. Só os deixaram ir quando estes os suborarnaram. xD

Foi engraçado!

No fim, deram-nos uma churrascada mesmo boa!

Viemos então embora. Podíamos ter ido de autocarro, mas quisemos ir a pé.

O caminho para ir a casa não foi o mesmo. Foi por uma estrada de terra. Mesmo assim demoramos cerca de 40 minutos a chegar a casa!

Quando fomos embora, fomos os últimos, mas a chegar fomos os primeiros!

Muita gente, cansada, parou para descansar e conversar.

Nós fomos sempre em frente. Principalmente eu!

Eu que à ida para lá, era das últimas, da ida para cá fui das primeiras!

Não sei o que me deu! Só sei que dei uma pedalada enorme e passei à frente de toda a gente!

O meu pai ficou espantado! Eu também! Estava farta de me chamarem «fraca» e fui sempre em frente! Não sabia que tinha tanta resistência física! lool

Nessa mesma noite fomos todos ao festival CeltiRock. Gostei da banda Hyubris e acabei por comprar um cd deles lá na feira do Festival.

A minha mãe comprou cházinhos e mezinhas que na terra dela fazem. --

Passados poucos dias fiquei doente. Com uma inflamação na garganta e febre. A minha família começou a brincar a dizer que tinha gripe A. Eu claro, cismei. Sou um pouco hipocondríaca!

Mas com uns anti-inflamatórios, antibióticos e ben-u-rons, fiquei muito melhor! E acho que já posso afirmar que estou curada! Que alívio, detesto estar doente!

E pronto! São estas as principais novidades das minhas férias. E vocês? Que novidades contam? As vossas férias foram boas?

 

 

sinto-me:
música: Getting Over You - Janis Ian

Sábado, 18 de Julho de 2009

A rapariga que calou o mundo por 5 minutos

 

 

Severn Cullis-Suzuki (nascida a 30 de Novembro de 1979) no Canadá é uma activista do meio ambiente e escritora.

Enquanto estudou na escola primária de Lord Tennesson, fundou a ECO (Environmental Children's Organization) na altura com 9 anos, com o propósito de aprender e ensinar outros jovens sobre questões ambientais.

Em 1992, quando Severn tinha 12 anos juntou algum dinheiro com alguns membros da ECO, com o fim de participar na Conferência da Terra no Rio de Janeiro (Brasil). A intenção, desse encontro, era introduzir a ideia do desenvolvimento sustentável, um modelo de crescimento económico menos consumista e mais adequado ao equilíbrio ecológico.

Então, Severn discursou numa perspectiva de uma jovem preocupada com o futuro do seu planeta, com a poluição, com os animais em vias de extinção, com a pobreza, com o seu próprio futuro.

Esse discurso comoveu a audiência e os delegados e foi honorificada com o prémio United Nations Environment Program's Global 500 Roll of Honor em 1993 e no mesmo ano publica o seu primeiro livro: Tell the World, com a intenção de ensinar às famílias como ser mais ecológico.

Formada  em Ecologia e Biologia Evolutiva pela Universidade de Yale, Estados Unidos, sai pelo mundo dando palestras, defendendo a bandeira verde do ambientalismo.
O seu público alvo são estudantes e trabalhadores de instituições públicas e privadas. Nos seus discursos demonstra a sua paixão pelo tema e resgata valores já esquecidos. Desafia a sua plateia a assumir responsabilidades individuais e colectivas em prol do meio ambiente.
Desenvolve muitos projectos ambientais e participa de diversas expedições científicas.
Foi membro do Painel Especial de Aconselhamento de Kofi Annan – ex-Presidente da ONU.

 

Vejam então o tão famoso discurso de Severn na Conferência da Terra no Rio de Janeiro em 1992:

 

 

 

 

sinto-me: ambientalista
música: We Are The World - Michael Jackson

Domingo, 3 de Maio de 2009

Dia da Mãe

Mãe, neste poema queria resumir o amor e o carinho que sinto por ti.

 

Num belo dia de sol, 

Um girassol 

Largou as suas pétalas

Perfumadas,

belas e apaixonadas,

Só para te ver passar

No seu jardim.

Tu, junto a mim

Cheiramos lírios e jasmim,

Contemplamos o luar

Nunca me esquerecerei de ti.

Só te peço uma coisa:

Quando leres este poema, sorri!

sinto-me:
música: Girls Just Wanna Have Fun - Cyndi Lauper

Quarta-feira, 8 de Abril de 2009

A Janela da Noite Penetrante


Eram onze horas da noite.
Uma tempestade ao luar;
O telhado da casa a pingar;
Uma menina a mirar o céu.
Chuva sonora,
Como um açoite.

Inverno, estação triste.
A menina chora
Para que a tempestade vá embora.
Uma linda melodia
Cheia de melancolia
Estende-se ao céu.
Lua minguante, a noite negra como breu.
Um fiozinho de luar
Mais lembrava um grande véu.
Ouvia-se o ronco furioso do mar.

A menina depressa adormeceu.
Entrou no país dos Sonhos.
Sonhava com a Primavera...
Sonhou ser duquesa de Baviera...
Sonhou ser uma rosa vermelha,
Um musgo verde na telha
Só para melhor olhar
O belo luar,
Que a todos veio encantar.

 

Poema da minha autoria


Segunda-feira, 2 de Março de 2009

Águas de Março - Tom Jobim e Elis Regina

Resolvi colocar a letra desta linda música de Tom Jobim, um marco da música popular brasileira, por estar a começar o mês de Março com chuva!

 

É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é um laço, é o anzol

É peroba do campo, é o nó da madeira
Caingá, candeia, é o MatitaPereira
É madeira de vento, tombo da ribanceira
É o mistério profundo, é o queira ou não queira

É o vento ventando, é o fim da ladeira

É a viga, é o vão, festa da cumeeira
É a chuva chovendo, é conversa ribeira
Das águas de março, é o fim da canseira

É o pé, é o chão, é a marcha estradeira
Passarinho na mão, pedra de atiradeira
É uma ave no céu, é uma ave no chão
É um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão

É o fundo do poço, é o fim do caminho
No rosto o desgosto, é um pouco sozinho
É um estrepe, é um prego, é uma ponta, é um ponto
É um pingo pingando, é uma conta, é um conto

É um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando
É a luz da manhã, é o tijolo chegando
É a lenha, é o dia, é o fim da picada
É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada

É o projeto da casa, é o corpo na cama
É o carro enguiçado, é a lama, é a lama
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um resto de mato, na luz da manhã

São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração

É uma cobra, é um pau, é João, é José
É um espinho na mão, é um corte no pé

São as águas de março fechando o verão,
É a promessa de vida no teu coração

É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um belo horizonte, é uma febre terçã

São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
au, edra, im, inho
esto, oco, ouco, inho
aco, idro, ida, ol, oite, orte, aço, zol

São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração.
 

sinto-me:
música: Águas de Março - Tom Jobim e Elis Regina

Domingo, 14 de Dezembro de 2008

Olá Amiga!

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Já falaste hoje ao Mundo?
Já sorriste á Natureza?
O Mundo é teu; Constrói-o!...
A Natureza é tua; Edifica-a!...

Ama ou aceita as pessoas.
Não as evites, não fujas delas.
Aproxima-te e vê o "sumo" que há nelas.

Não te conformes com o dizerem-te
Que são más, que não prestam...
Sê tu própria a olhá-las e a analizá-las!

As más, dá-lhes alimento, coragem, alento e força.
Mas olha que muitas ainda têm caracter.
Afecto, carinho, conforto...

E é nelas ou com a ajuda delas
Que tu poderás ser afável e útil.
Que tu poderás encontrar
A tua verdadeira vivença neste Mundo

-Esta é uma forma de falar ao Mundo-

Aceita os montes, vales, rios, mares,
Sol, chuva, animais plantas...
Escuta e acolhe toda a naturalidade da Natureza.

Vive com a Natureza; na Natureza.
E para a Natureza. Estima-a e sê natural como ela!
-Esta é uma forma de sorrir à Natureza.

Sim Amiga, mais que nunca, sorri hoje à Natureza
E fala hoje ao Mundo.
Por Amor da Beleza e da Paz.
E encontras neles o Pão para a tua boca.
E o vinho para o teu coração

 

Autoria de 20julieta11 retirado daqui: http://quiosque.aeiou.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ae.stories/12910

sinto-me:
música: Sons da Natureza

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